03/01/2014

.Os Filmes Que Convencem O Que É Certo, Ou, Como Ser Obrigado A Ler Um Livro E Outras Histórias.




A criação cinematográfica americana em prol á confirmação de sua hegemonia não apenas econômica, mas militar sobre a terra dentre 1945 a 1991, tentou, com certo êxito, afastar aquele “fantasma que paira...” sob sua economia e modelo político. A URSS tinha o interesse de estabelecer aos demais povos seu modelo socialista, libertando-os (e ficaria liberto sob seu comando, obviamente). Piadinhas a parte, influência dos filmes do Kubrick talvez, temos uma cena de quase 50 anos com produções midiáticas de vários lados, tratando de diferentes formas o tema.

Iniciamos com o conceito e a história do propagandismo. É uma corrente cinematográfica, de acordo com Ronald Bergan, iniciada quando Goebbels assume como ministro da propaganda nazista em 1933. Ele convida diretores como Fritzlang (que recusa) para realizarem obras pró-nazismo (não apenas cinematográficas, mas em toda a escala midiática). Filmes como o antissemita Jud Süß e Ein schöner Tag.

Depois desse esboço, temos o entendimento do que é “cinema propagandista”, geralmente ligado á politica de algum país, tenta impor sua ideologia. Esse sistema foi aplicado nos Estados Unidos, nitidamente copiado até hoje, basta dar uma olhada em Pacific Rim e prestar a atenção nos argumentos e discursos em meio ao filme (“o robô russo é forte, mas é ultrapassado”, “o robô chinês é bom, mas necessita de mais chineses para pilotar”). A superioridade Norte Americana, se existe, é inserida em seus filmes até hoje. Há muito tempo eles salvam o mundo dentro de sua cultura (a diferença pro Jihad é que são mais objetivos).


     
Entendemos então que os filmes são uma porta para impor sua ideologia, mas também podem ser contra, como filmes Pacifistas. E adentrando na temática que dá título ao artigo, temos O Dia em que a Terra Parou (1951), dirigido por Robert Wise (diretor do primeiro longa metragem de Star Trek em 1979) esse filme serve como alerta, realizado por dois personagens, um alienígena e um robô, para que a terra abandone suas armas nucleares para poderem se alinhar com os demais planetas de uma liga, filme que ganhou remake em 2008 sob o mesmo nome contando com Keanu Reeves. Wise também realiza em 71 o filme The Andromeda Strain, alertando contra a guerra biológica e o uso de satélites militares.

Seguimos com um filme chave, da época: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964). Essa comédia de humor negro dirigida por Stanley Kubrick, contando com Peter Sellers no papel de três personagens, um melhor que o outro.

O filme ridiculariza todo o alto escalão do exercito americano, além do presidente, expondo o mito e as crendices do povo americano sobre o comunismo. Claro, do outro lado, temos um ministro russo que não perde tempo nas artimanhas para espionar seu inimigo. Além de um sargento que resolve dar mais um passo na guerra, lançando um avião com duas bombas H, “Dear John" e "Hi There”. No livro em que o filme foi baseado, a bomba “Dear John” se chamava “Lolita”, ironicamente, Kubrick adaptou Lolita do Nabokov para o cinema. Além de adaptar 2001: Uma Odisséia No Espaço de Arhur Clarke, em 1968, em meio à corrida espacial.

O propagandismo por parte dos EUA não era, em geral, explicito á URSS. Geralmente era em prol de algo que realmente estava acontecendo (como batalhas diretas, em território oficial de ambos não ocorreram), como Vietnã, conflitos na África, guerra das Coréias, oriente média e na cortina de ferro.
Por isso temos uma disseminação de filmes nitidamente propagandistas como Rambo e Missing in Action (Braddock O Supercomando). O primeiro com Sylvester Stallone baseado em um romance de 1972 chamado First Blood, homônimo ao nome do filme original, o outro com Chuck Norris, ambos se passam no Vietnã. Além de Invasão U.S.A (1985), também com Chuck Norris, onde é responsável por “reestabelecer a democracia”.


Outros filmes sobre Vietnã, que são obras anti-propaganda praticamente, temos Platoon (1986), Nascido Para Matar (1987, do Kubrick) e, acredito que o principal (adoradores de Platoon vão me odiar), Apocalypse Now, dirigido por Coppola, o qual não faz menção sequer nos créditos ao livro em que baseou essa obra prima do cinema: Coração Das Trevas, de Joseph Conrad.

Em 1954 a CIA financia um desenho animado feito na Inglaterra baseado na Revolução Dos Bichos de George Orwell. Nitidamente propagandista.
Do outro lado temos algumas produções soviéticas, as limitações da língua e o não interesse nessa disseminação impedem um pouco a pesquisa, contudo, saltam filmes como “Eu Sou Cuba” (Soy Cuba) de 1964, dirigido pelo russo Mikhail Kalatozov.
Saindo desse eixo das produções hollywoodianas, apresento, como um material extra, o filme Terra Sonâmbula, impossível ver sem ler antes (friso, se deve ler antes) o livro homônimo de Mia Couto, de 1992. A história se passa em Moçambique, que vive uma guerra entre forças dominantes no poder, sustentadas pela URSS, e forças militares que tentam, sustentadas pelos EUA, tomar o poder. Além dos bandos armados, que são pré-históricos na região. Essa guerra nada fria, mas sim real, durou de 1976 a 1992.

Uma pequena observação sobre Charles Chaplin, que foi condecorado com a honraria de Cavaleiro Comandante do Império Britânico em 1975. Essa horaria foi cogitada à ele em 1931, mas vetada por não ter servido na guerra, depois em 1956 ela seria dada, contudo, era o auge da guerra fria com a invasão de Suez, e poderia prejudicar a relação da Inglaterra com os EUA, já que Chaplin foi considerado subversivo.