A criação cinematográfica americana em prol á confirmação de
sua hegemonia não apenas econômica, mas militar sobre a terra dentre 1945 a
1991, tentou, com certo êxito, afastar aquele “fantasma que paira...” sob sua
economia e modelo político. A URSS tinha o interesse de estabelecer aos demais
povos seu modelo socialista, libertando-os (e ficaria liberto sob seu comando,
obviamente). Piadinhas a parte, influência dos filmes do Kubrick talvez, temos
uma cena de quase 50 anos com produções midiáticas de vários lados, tratando de
diferentes formas o tema.
Iniciamos com o conceito e a história do propagandismo. É
uma corrente cinematográfica, de acordo com Ronald Bergan, iniciada quando
Goebbels assume como ministro da propaganda nazista em 1933. Ele convida
diretores como Fritzlang (que recusa) para realizarem obras pró-nazismo (não
apenas cinematográficas, mas em toda a escala midiática). Filmes como o antissemita Jud Süß e Ein schöner Tag.
Depois desse esboço, temos o entendimento do que é “cinema
propagandista”, geralmente ligado á politica de algum país, tenta impor sua
ideologia. Esse sistema foi aplicado nos Estados Unidos, nitidamente copiado
até hoje, basta dar uma olhada em Pacific Rim e prestar a atenção nos
argumentos e discursos em meio ao filme (“o robô russo é forte, mas é
ultrapassado”, “o robô chinês é bom, mas necessita de mais chineses para
pilotar”). A superioridade Norte Americana, se existe, é inserida em seus
filmes até hoje. Há muito tempo eles salvam o mundo dentro de sua cultura (a
diferença pro Jihad é que são mais objetivos).
Entendemos então que os filmes são uma porta para impor sua
ideologia, mas também podem ser contra, como filmes Pacifistas. E adentrando na
temática que dá título ao artigo, temos O Dia em que a Terra Parou (1951),
dirigido por Robert Wise (diretor do primeiro longa metragem de Star Trek em
1979) esse filme serve como alerta, realizado por dois personagens, um
alienígena e um robô, para que a terra abandone suas armas nucleares para
poderem se alinhar com os demais planetas de uma liga, filme que ganhou remake
em 2008 sob o mesmo nome contando com Keanu Reeves. Wise também realiza em 71 o
filme The Andromeda Strain, alertando contra a guerra biológica e o uso de
satélites militares.
Seguimos
com um filme chave, da época: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop
Worrying and Love the Bomb (1964). Essa comédia de humor negro dirigida
por Stanley Kubrick, contando com Peter Sellers no papel de três personagens,
um melhor que o outro.
O filme ridiculariza todo o alto escalão do exercito
americano, além do presidente, expondo o mito e as crendices do povo americano
sobre o comunismo. Claro, do outro lado, temos um ministro russo que não perde
tempo nas artimanhas para espionar seu inimigo. Além de um sargento que resolve
dar mais um passo na guerra, lançando um avião com duas bombas H, “Dear
John" e "Hi There”. No livro em que o filme foi baseado, a bomba
“Dear John” se chamava “Lolita”, ironicamente, Kubrick adaptou Lolita do
Nabokov para o cinema. Além de adaptar 2001: Uma Odisséia No Espaço de Arhur
Clarke, em 1968, em meio à corrida espacial.
O propagandismo por parte dos EUA não era, em geral, explicito
á URSS. Geralmente era em prol de algo que realmente estava acontecendo (como
batalhas diretas, em território oficial de ambos não ocorreram), como Vietnã,
conflitos na África, guerra das Coréias, oriente média e na cortina de ferro.
Por isso temos uma disseminação de filmes nitidamente
propagandistas como Rambo e Missing in Action (Braddock O Supercomando). O
primeiro com Sylvester Stallone baseado em um romance de 1972 chamado First
Blood, homônimo ao nome do filme original, o outro com Chuck Norris, ambos se
passam no Vietnã. Além de Invasão U.S.A (1985), também com Chuck Norris, onde é
responsável por “reestabelecer a democracia”.
Outros filmes sobre Vietnã, que são obras anti-propaganda
praticamente, temos Platoon (1986), Nascido Para Matar (1987, do Kubrick) e,
acredito que o principal (adoradores de Platoon vão me odiar), Apocalypse Now,
dirigido por Coppola, o qual não faz menção sequer nos créditos ao livro em que
baseou essa obra prima do cinema: Coração Das Trevas, de Joseph Conrad.
Em 1954 a CIA financia um desenho animado feito na
Inglaterra baseado na Revolução Dos Bichos de George Orwell. Nitidamente
propagandista.
Do outro lado temos algumas produções soviéticas, as
limitações da língua e o não interesse nessa disseminação impedem um pouco a
pesquisa, contudo, saltam filmes como “Eu Sou Cuba” (Soy Cuba) de 1964,
dirigido pelo russo Mikhail Kalatozov.
Saindo desse eixo das produções hollywoodianas, apresento, como
um material extra, o filme Terra Sonâmbula, impossível ver sem ler antes
(friso, se deve ler antes) o livro homônimo de Mia Couto, de 1992. A história
se passa em Moçambique, que vive uma guerra entre forças dominantes no poder,
sustentadas pela URSS, e forças militares que tentam, sustentadas pelos EUA,
tomar o poder. Além dos bandos armados, que são pré-históricos na região. Essa
guerra nada fria, mas sim real, durou de 1976 a 1992.
Uma pequena observação sobre Charles Chaplin, que foi condecorado com a honraria de Cavaleiro Comandante do Império Britânico em 1975. Essa horaria foi cogitada à ele em 1931, mas vetada por não ter servido na guerra, depois em 1956 ela seria dada, contudo, era o auge da guerra fria com a invasão de Suez, e poderia prejudicar a relação da Inglaterra com os EUA, já que Chaplin foi considerado subversivo.



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