17/12/2013




Dialogo Dos Mortos – Luciano de Samósata




Filosofo grego que tu não conheces, nem nunca ouviu falar, acertei? Mas já ouviu falar de Erasmo de Roterdã né?  Roterdã baseou muito de sua obra, e estilo, em Samosáta.
Luciano nasceu na Síria em 125, e morreu pouco depois de 181, informações na Wiki, porem, tem uma palavra bem interessante: Acredita-se.  Não se tem grande informação sobre a vida deste filosofo, mas sabe-se que ele existiu pelos seus escritos, ao contrário de outros personagens históricos, como o Sr. Jesus de Nazaré.
Deixemos de lado essas divagações não importantes, as pessoas acreditam em tanta coisa sem credibilidade, que podemos fazer vista grossa se não soubermos com exatidão a cor dos olhos dele.
Li sua obra máxima (um dos poucos títulos que sobraram), e fiquei impressionado com o teor satírico. Essa leitura deveria ser essencial nas escolas, quando se estuda Grécia e Roma, a parte dos seus cultos e crenças, claro, ao lado de outras obras necessárias à sua compreensão, como Fustel e Gibbon.  
Cada página apresenta uma conversa com personagens famosos ou deuses caídos, com um pouco de conhecimento do cenário, compreendendo assim a sátira, se torna uma aula da sociedade clássica helenística.  Focando apenas em uma, só para dar a vontade de ler, Hermes (Deus que guia as pessoas até o submundo) levou ao Caronte (barqueiro do submundo) material para o mesmo concertar sua embarcação. Que por sua vez, não tinha óbulos (moedas) suficientes para ressarcir Hermes. Sua desculpa foi que existia muita paz nessa época, e assim que ocorresse uma guerra, ele pagaria. Bom, uma moeda ou óbulo, que seria bem traduzido como esmola, deveria ser enterrada no bolso de toda pessoa que morria, para pagar ao Caronte na travessia do rio Aqueronte (o rio das almas), no submundo, lar de Hades.  A partir dessa crença, Luciano faz sua sátira, e sim, apesar dessa época ser a decadência do culto antigo, as pessoas ainda acreditavam vivamente nesses ritos.
Luciano também trabalha com a questão da ganância, pois de acordo com Fustel de Coulanges, no seu livro Cidade Antiga, as leis sobre herança eram diferentes das de hoje (obviamente?), onde o morto geralmente não podia fazer seu testamento, tudo o que lhe pertencia ficava para seu primogênito.  Mas as pessoas poderiam, caso não tivessem filho (homem), adotar, mesmo já velho. Então alguns textos trabalham essa bajulação de homens querendo ser adotados, e morrendo antes que seu possível patrono, e sua lamentação póstuma.
Mas para nós, céticos, o que importa é que ele critica uma religião em decadência (cultos gregos e romanos aos mortos) para exaltar (não explicitamente) o cristianismo que nasce.

Bom, sabemos que ambos são balela, mas a ascensão de autores críticos da realidade, principalmente religiosa, no quesito fé, precede a queda da crença vigente. Ou seja, tendo Dawikins, Hawking, Sagan, Hobsbawn (que não foi teórico ateísta nem cientifico, mas deixou seu nome na historiografia cética), Hitchens, Dennet, entre tantos outros, podemos ensaiar uma rápida evolução da não crença a nível mundial (ou no mínimo ocidental).

10/12/2013

Brave New World, Mera Ficção Ou O Vislumbre De Um Futuro Palpável?
Róbison Sacon dos Santos



Resumo: A obra Admirável Mundo Novo (Brave New World) de 1932, de Aldous Huxley, suas influências na sua época e na nossa, suas especulações, significados e significantes. Obras que tem como base, bem como influenciadas pela mesma.

Palavras chaves: Sociedade; Literatura; Utopia.

1.Introdução

Aldous Huxley, um dos maiores intelectuais do inicio do século passado, visionário, que inseria erudita filosofia diluída em seus romances e ensaios.
Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo é escrito em meio à um mundo em crise (crash 1929) de produção, onde as respostas e soluções (dos economistas) para evitá-la, obviamente, surgiam depois da quebra, depois de ser tarde demais.
O Keynesianismo se pode notar no livro nitidamente, produção desnecessária, muitas vezes, pelas castas inferiores (Ípslons e Gamas).
Toda a movimentação literária exibida, um misto de cientificismo de Verne, com premonições de uma sociedade utópica de Thomas More, apresenta um possível futuro para a década de 30. Possível ou utópico?


2. Desenvolvimento

Deve-se dizer de antemão, que o livro apresenta um mundo mais de 700 anos a frente do seu tempo (década de 30), isso é parte do pensamento de Huxley, pois o livro apresenta apenas parte desse vislumbre. Juntando toda a sua obra, poderemos alcançar a essência da sua filosofia, porém, esse romance, tem alguns aspectos que atingiram a realidade poucos anos depois, como a sociedade de consumo, o estado de bem estar, alguns desenvolvimentos primários contemporâneos na psicologia comportamental (Behaviorismo, implícito sobre um dos personagens de sobrenome Watson). O Keynesianismo, já citado, permeia o modo de produção e dá ênfase nas classes sociais, produção desnecessária, muitas vezes.
Existe um machismo e um racismo implícito e explicito no livro. O machismo advém, por exemplo, do fato de não haverem mulheres de castas superiores à Beta (não existe nenhuma personagem feminina Alfa). Antes de 1960 (1950 sintetizado, mas não comercializado) não haviam anticoncepcionais orais regulamentados, e em 30 sequer eram citados (a não serem receitas caseiras, mas pílulas definitivamente não), então como Huxley decide que a mulher se preocuparia em não engravidar, em vez do homem? Preservativos de látex já eram vendidos e comuns na Inglaterra nessa época, mas sequer são citados.
 Já o racismo, não pode ser ligado á um grupo de clones negros citados, mesmo sendo de casta inferior (Ípsoln), eles são citados como superiores à outro modelo de clone, por sua vez, branco e sardento. O racismo presente está no fato de um filme (cinema sensível de 753 d.F) exibir o resgate de uma mulher por três homens brancos de seu raptor, um homem negro.
Os nomes dos personagens são um quesito à parte, são diretas homenagens à grandes nomes, alguns deles: Watson, Marx, Lenina, Trotsky, além, claro, do deus vigente: Ford.
Mas esses nomes talvez tentem esconder o que alguns literatos e críticos de literatura reclamam do romance: a falta de profundidade dos personagens. Talvez eu seja um péssimo critico literário, mas devo discordar em grau e gênero, pois o livro apresenta um futuro longínquo onde as pessoas são psicologicamente condicionadas, e diversas vezes durante o livro, são chamadas de crianças pelo “selvagem” (que durante parte de suas aparições cita Shakespeare diversas vezes, dando a seu personagem significado muito grande). A critica de Anthony Burgess ao 1984 de Orwell vai mais afundo, quando embasa tanto Admirável Mundo Novo  quando 1894 em “Nós” do russo Zamyatin, com a falta de percepção politica e o sacrifício da liberdade pela felicidade. São criticas, agora sim, válidas, pois as características simplesmente de construção de personagens, ou, a construção do romance, não são relevantes, essas construções são apenas regras de consenso.


3. Considerações Finais

Resumindo, uma obra ímpar não só em seu tempo, mas no nosso, indispensável leitura. De fato o desenrolar da historia mostra que alguns vislumbres de Huxley realmente chegaram à realidade, enquanto outros estão apenas no papel. Podemos agregar a essa obra, além de More e Verne, seu aluno, Orwell, Anthony Burgess (diretor de Laranja Mecânica e escritor de 1985) e, claro, o clássico, H.G Wells. O que é mera ficção cientifica, o que é a realidade de suas épocas, o que é especulação fundamentada, não há como prever certamente.








4. Referências

BURGESS, Anthony, 1985, L&PM, 1980.
HUXLEY, Aldous, Admirável Mundo Novo, Globo, 2009
WELLS, Herbert G. A Maquina Do Tempo, Alfaguara, 2010.
SANTANA, Ana Lucia, Behaviorismo, www.infoescola.com/psicologia/behaviorismo, acessado em 23/09.