Brave New
World, Mera Ficção Ou O Vislumbre De Um Futuro Palpável?
Róbison Sacon dos Santos
Resumo: A obra Admirável Mundo Novo (Brave New World) de 1932, de Aldous
Huxley, suas influências na sua época e na nossa, suas especulações, significados
e significantes. Obras que tem como base, bem como influenciadas pela mesma.
Palavras
chaves: Sociedade; Literatura; Utopia.
1.Introdução
Aldous Huxley, um dos maiores
intelectuais do inicio do século passado, visionário, que inseria erudita
filosofia diluída em seus romances e ensaios.
Publicado em 1932, Admirável Mundo
Novo é escrito em meio à um mundo em crise (crash 1929) de produção, onde as
respostas e soluções (dos economistas) para evitá-la, obviamente, surgiam
depois da quebra, depois de ser tarde demais.
O Keynesianismo se pode notar no livro
nitidamente, produção desnecessária, muitas vezes, pelas castas inferiores
(Ípslons e Gamas).
Toda a movimentação literária exibida,
um misto de cientificismo de Verne, com premonições de uma sociedade utópica de
Thomas More, apresenta um possível futuro para a década de 30. Possível ou
utópico?
2.
Desenvolvimento
Deve-se dizer de antemão, que o livro
apresenta um mundo mais de 700 anos a frente do seu tempo (década de 30), isso
é parte do pensamento de Huxley, pois o livro apresenta apenas parte desse
vislumbre. Juntando toda a sua obra, poderemos alcançar a essência da sua
filosofia, porém, esse romance, tem alguns aspectos que atingiram a realidade
poucos anos depois, como a sociedade de consumo, o estado de bem estar, alguns
desenvolvimentos primários contemporâneos na psicologia comportamental (Behaviorismo,
implícito sobre um dos personagens de sobrenome Watson). O Keynesianismo, já
citado, permeia o modo de produção e dá ênfase nas classes sociais, produção
desnecessária, muitas vezes.
Existe um machismo e um racismo
implícito e explicito no livro. O machismo advém, por exemplo, do fato de não
haverem mulheres de castas superiores à Beta (não existe nenhuma personagem
feminina Alfa). Antes de 1960 (1950 sintetizado, mas não comercializado) não haviam
anticoncepcionais orais regulamentados, e em 30 sequer eram citados (a não serem
receitas caseiras, mas pílulas definitivamente não), então como Huxley decide
que a mulher se preocuparia em não engravidar, em vez do homem? Preservativos
de látex já eram vendidos e comuns na Inglaterra nessa época, mas sequer são
citados.
Já o racismo, não pode ser ligado á um grupo
de clones negros citados, mesmo sendo de casta inferior (Ípsoln), eles são
citados como superiores à outro modelo de clone, por sua vez, branco e
sardento. O racismo presente está no fato de um filme (cinema sensível de 753
d.F) exibir o resgate de uma mulher por três homens brancos de seu raptor, um
homem negro.
Os nomes dos personagens são um
quesito à parte, são diretas homenagens à grandes nomes, alguns deles: Watson,
Marx, Lenina, Trotsky, além, claro, do deus vigente: Ford.
Mas esses nomes talvez tentem esconder
o que alguns literatos e críticos de literatura reclamam do romance: a falta de
profundidade dos personagens. Talvez eu seja um péssimo critico literário, mas
devo discordar em grau e gênero, pois o livro apresenta um futuro longínquo
onde as pessoas são psicologicamente condicionadas, e diversas vezes durante o
livro, são chamadas de crianças pelo “selvagem” (que durante parte de suas
aparições cita Shakespeare diversas vezes, dando a seu personagem significado
muito grande). A critica de Anthony Burgess ao 1984 de Orwell vai mais afundo,
quando embasa tanto Admirável Mundo Novo
quando 1894 em “Nós” do russo Zamyatin, com a falta de percepção
politica e o sacrifício da liberdade pela felicidade. São criticas, agora sim,
válidas, pois as características simplesmente de construção de personagens, ou,
a construção do romance, não são relevantes, essas construções são apenas regras
de consenso.
3.
Considerações Finais
Resumindo, uma obra ímpar não só em
seu tempo, mas no nosso, indispensável leitura. De fato o desenrolar da
historia mostra que alguns vislumbres de Huxley realmente chegaram à realidade,
enquanto outros estão apenas no papel. Podemos agregar a essa obra, além de
More e Verne, seu aluno, Orwell, Anthony Burgess (diretor de Laranja Mecânica e
escritor de 1985) e, claro, o clássico, H.G Wells. O que é mera ficção
cientifica, o que é a realidade de suas épocas, o que é especulação
fundamentada, não há como prever certamente.
4.
Referências
BURGESS, Anthony, 1985, L&PM,
1980.
HUXLEY, Aldous, Admirável Mundo Novo,
Globo, 2009
WELLS, Herbert G. A Maquina Do Tempo,
Alfaguara, 2010.
SANTANA, Ana Lucia, Behaviorismo, www.infoescola.com/psicologia/behaviorismo,
acessado em 23/09.
Teoria Keynesiana, http://www.economiabr.net/teoria_escolas/teoria_keynesiana.html,
acessado em 23/09

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