Dialogo Dos Mortos – Luciano de Samósata
Filosofo grego que tu não conheces, nem nunca ouviu falar,
acertei? Mas já ouviu falar de Erasmo de Roterdã né? Roterdã baseou muito de sua obra, e estilo,
em Samosáta.
Luciano nasceu na Síria em 125, e morreu pouco depois de
181, informações na Wiki, porem, tem uma palavra bem interessante:
Acredita-se. Não se tem grande
informação sobre a vida deste filosofo, mas sabe-se que ele existiu pelos seus
escritos, ao contrário de outros personagens históricos, como o Sr. Jesus de
Nazaré.
Deixemos de lado essas divagações não importantes, as
pessoas acreditam em tanta coisa sem credibilidade, que podemos fazer vista
grossa se não soubermos com exatidão a cor dos olhos dele.
Li sua obra máxima (um dos poucos títulos que sobraram), e
fiquei impressionado com o teor satírico. Essa leitura deveria ser essencial
nas escolas, quando se estuda Grécia e Roma, a parte dos seus cultos e crenças,
claro, ao lado de outras obras necessárias à sua compreensão, como Fustel e
Gibbon.
Cada página apresenta uma conversa com personagens famosos
ou deuses caídos, com um pouco de conhecimento do cenário, compreendendo assim
a sátira, se torna uma aula da sociedade clássica helenística. Focando apenas em uma, só para dar a vontade
de ler, Hermes (Deus que guia as pessoas até o submundo) levou ao Caronte
(barqueiro do submundo) material para o mesmo concertar sua embarcação. Que por
sua vez, não tinha óbulos (moedas) suficientes para ressarcir Hermes. Sua
desculpa foi que existia muita paz nessa época, e assim que ocorresse uma
guerra, ele pagaria. Bom, uma moeda ou óbulo, que seria bem traduzido como
esmola, deveria ser enterrada no bolso de toda pessoa que morria, para pagar ao
Caronte na travessia do rio Aqueronte (o rio das almas), no submundo, lar de
Hades. A partir dessa crença, Luciano
faz sua sátira, e sim, apesar dessa época ser a decadência do culto antigo, as
pessoas ainda acreditavam vivamente nesses ritos.
Luciano também trabalha com a questão da ganância, pois de
acordo com Fustel de Coulanges, no seu livro Cidade Antiga, as leis sobre
herança eram diferentes das de hoje (obviamente?), onde o morto geralmente não
podia fazer seu testamento, tudo o que lhe pertencia ficava para seu
primogênito. Mas as pessoas poderiam,
caso não tivessem filho (homem), adotar, mesmo já velho. Então alguns textos
trabalham essa bajulação de homens querendo ser adotados, e morrendo antes que
seu possível patrono, e sua lamentação póstuma.
Mas para nós, céticos, o que importa é que ele critica uma
religião em decadência (cultos gregos e romanos aos mortos) para exaltar (não
explicitamente) o cristianismo que nasce.
Bom, sabemos que ambos são balela, mas a ascensão de autores
críticos da realidade, principalmente religiosa, no quesito fé, precede a queda
da crença vigente. Ou seja, tendo Dawikins, Hawking, Sagan, Hobsbawn (que não
foi teórico ateísta nem cientifico, mas deixou seu nome na historiografia
cética), Hitchens, Dennet, entre tantos outros, podemos ensaiar uma rápida
evolução da não crença a nível mundial (ou no mínimo ocidental).

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