26/08/2011

cordel...


O Cordel Encantado
As historia de cordel vem de Portugal, trazidas logo do inicio da colonização… Wikipédia sana esses detalhes.
Porém, o que talvez não tenha sido notado remete algumas coisas muito interessantes sobre a história, que pelo nome e cenário se passa no nordeste,  por ter alguns automóveis e pelo sistema político, em meados de 1940.
De alguns detalhes que percebi seriam a menção implícita ao livro Codex Serafinianus, livro sobre um mundo imaginário indecifrável do artista Luigi Serafini. Que poderia muito bem remeter a própria Seráfia, reino imaginário da trama.
O fato de um episódio trazer cangaceiros em vários automóveis, mostra uma das faces de Virgulino, o Lampião, que era rico, espelhada no personagem Herculano (todas as novelas da globo tem um Herculano?).
O que me chama mais a atenção é uma ligação muito singular com a própria formação étnica do Sertanejo e Caboclo que ali viviam. Tirando detalhes como a sujeira do povo, e alguns modos, como a personagem Dora (Nathalia Dill) tomando banho no meio do acampamento do cangaço, em uma banheira, porém, sem os quais, estragaria a pintura, a arte, da novela, seria a licença poética em cena.
O Sertanejo que no inicio dos séculos de colonização arrematava o gado, com sua descendência indígena mestiça com portuguesa, vai perdendo lugar e ganhando menos, pois há muito se multiplicava, junto com os bois, aumentando a concorrência pelo gado, fica marginalizado pelos grandes donos de terras, sesmarias, vivendo cada vez com menos, formando uma cultura de um povo sofrido apegado a religião e a cultos, como o de Dom Sebastião, breve rei de Portugal, símbolo de adoração.  Esse fervo religioso, o sonho com um profeta, um novo rei, que tiraria o povo da miséria, se insere a crença que o “profeta”, Miguézim (Mateus Nachtergaele) tem de Celestino (Cauã Reymond) ser um rei a levar a Vila da Cruz a uma nova Canudos.
Fazendo com que a cruzada contra os Mouros tivesse reflexo aqui no cangaço, quando tanto como rouba dos ricos para dar aos pobres, sendo louvado, fica a mercê do inferno, com atos de pura brutalidade, o que é natural dos mestiços, pois não compartilham a cultura indígena, pois a dispensa, nem sustenta o convívio como igual com o branco, que por sua vez o dispensa.
Esse cangaço se alia a senhores de terras, como os jagunços de Timóteo (Bruno Gagliasso), impondo sobre o povo e outros senhores de terras com milícias menores sua vontade.
É uma rede de antagonismos que faz o braço forte, que não foi para o bandidismo, migrar para o sul com a promessa de ser uma terra com trabalho para todos, e mais justa, ou para a Amazônia nos seringais, hoje ainda subsidiado pelo governo, pela tecnologia e concorrência de outros países ser muito forte,deixando apenas os velhos cansados e jovens na terra natal. Sem esperança, pois poucas rebeliões se instauraram, e nenhuma com força alem de ganhar algumas batalhas ou mesmo de formar um governo paralelo ou um estado confederado.


08/08/2011

Pensamento Talhado, Reflexão 2 continuação

 Continuando o pensamento então.
Como disse, lembrando o que Ecce Hommo do Nietzsche pôs em pauta, tudo em demasia estraga, ratifico com tudo que falta também estraga.
Não podemos nunca ler o Manifesto Comunista do Marx, e sair por ai gritando que os Cubanos e Chineses são felizes, que a URSS não acabou por culpa do sistema. O Manifesto tem muita coisa boa, muita coisa proveitosa, bem dizer tudo, porem, cada pensamento marxista tem seu lugar de utilização, bem como uma boa interpretação, como Schopenhauer escreveu no A Arte de Escrever (se não me engano, preguiça de verificar, faz isso por mim por favor), a língua alemã é intradutível, não pode ser totalmente passada para outra língua. 


De certo modo o nacionalismo preconceituoso sobre a lingua alemã que Arthur Schopenhauer nos coloca, pode ser traduzido como algo do tipo: crianças, tenham cuidado ao passar textos de uma língua a outra, pois cada língua representa características próprias do lugar.
Ou seja, hoje, tudo, deve ser interpretado com cuidado, uma gafe, e tensão gerada. 




"O meio mais cômodo e mais rápido de discernir o bem do mal é perguntar-te o que terias ou não terias desejado se um outro, que não tu, tivesse sido rei.” (Tácito). 

O tio Tácito (Públio Cornélio Tácito, historiador romano) nos dando dicas sobre empatia, que fica implícito (tácito) no trecho.
O pensar no outro nos atos é algo que necessita de costume, entender as diferenças, que podem ser pequenas, e as vezes despercebidas, como quando comecei a namorar, na casa dela, eles não usam colher própria para o açúcar, e isso é um costume, na minha usa-se, a nossa distância é de aproximadamente 100km. 
Já no Brasil em geral, se come usando garfo e faca, na Índia, normalmente usa-se as próprias mãos.
E claro, vai muito além disso, a forma de pensar, de ver o mundo.
De ter sua verdade absoluta, acima dos demais.

Como um trecho do livro do Carlo Ginzburg, O Queijo E Os Vermes, onde o moleiro se defenda da inquisição usando a fábula dos três anéis, ao ser questionado sobre qual a religião detinha a verdadeira herança divina, ele relata a historia dos 3 aneis, contada por Melquisedeque a Saladino:

"No instante da morte, o pai, secretamente, deu a cada filho o seu anel. Após o desenlace do pai, os filhos disputaram entre eles a posse da herança e da honra. Cada um negou aos outros qualquer direito. E, para testemunhar que podia assim agir, em sã consciência, cada um deles apresentou o seu anel. Ao se constatar que os anéis eram tão iguais, que não se poderia identificar aquele que servira de modelo estabeleceu-se o problema de saber quem deveria ser o legítimo herdeiro do pai. O problema ficou sem solução – e ainda o está" (Boccaccio, Decamerão)

 
 Ou seja, nao sabemos, não fixando o pensamento apenas na religião, qual costume, cultura, é a certa, ou a ideal.
Devemos conviver com as diferenças, e mais, entende-las.
Andrew Breivik, que realizou os atentados na Noruega, na sua concepção, agiu a favor da união européia em uma só cultura, uma busca. Porém, como já comentei em uma matéria sobre ele, Le Goff, historiador Francês, tem uma idéia similar, mas crê na multicultura, a Europa unida porém conservando suas linguas, suas diferenças.

O Brasil também é multicultural, deve conservar isso, e mais, a meu ver, são formas táo distintas, tanto da lingua, quanto costumes, que creio na separação dos estados, mais autonomia a eles.
Seria um caminho ótimo a seguir.
Abraço a quem teve saco de ler tudo, obrigado.







Pensamento Talhado, Reflexão

Opa.
Temos um problema na sociedade, dentre muitos, mas esse talvez, há uma boa chance, seja crucial.
O problema dentro da cabeça. Existem vários estudos sobre o funcionamento no cérebro, mas aqui não falo desse tipo, físico, de problemas.
É um problema mais cultural, a forma como pensar.

"Os povos, assim como os homens, somente são dóceis na juventude; ao envelhecerem, tornam-se incorrigíveis; uma vez estabelecidos os costumes e enraizados os preconceitos, constitui empreendimento perigoso e inútil pretender reformá-los; o povo sequer concorda que se lhe toque nos males a fim de os destruir, à semelhança desses estúpidos e medrosos doentes que estremecem com a presença do médico." (Rousseau, Contrato Social)

Ou seja, se o conhecimento for cristalizado, como uma verdade absoluta, não há como haver mudança, pensar de outras formas, e até mesmo ter empatia. 
As pessoas não podem, não devem, ser assim.
Temos sempre que avaliar o lado dos outros, ninguém é totalmente bom, portanto, ninguém é completamente mau. 
Temos de ser críticos com tudo que nos rodeia, nao rebeldes, ou conformistas, mas avaliar se há nessecidade de mudança, no que e aonde. Tanto em nosso ambito particular quanto social e publico.

 

05/08/2011

Reflexao: Rousseau e a Politica

Rousseau, especificamente em Contrato Social, Livros I a III.
Meu amigo Jean diz que o Homem, quando a sociedade evolui conforme os moldes que apresenta, vira então um Cidadão, o que confere a ele: Alienar-se do natural (tudo que é característica do homem, e tudo o que é do homem), e ser, digamos, Comunitário. Pertencer a uma aliança indissolúvel, onde, regida por todos e para todos, entrega sua vida, recebendo a de todos. Os caminhos que esse conjunto de Cidadãos, que formam uma Cidade, no emprego original da palavra, seria, de acordo com ele, linear, reto. Em prol nunca de um bem particular, mas um bem geral. Explica também que esse corpo Legisla, havendo então um Soberano, o qual segue a lei, e é alienado do todo, ele não precisa do todo, e não pode tirar vantagem do todo, por isso ele é um mediador, uma ancora.
Essa é uma parte do sistema, pré-Revolução Francesa, um livro inspirador com toda a certeza, junto com outros, os quais também, apesar de pouco relevante, cito Sade por exemplo.
Foi um movimento libertário, que começa a quebrar os Absolutismos Europeus.

Bom, o que há de tão especial em tudo isso com o contemporâneo?
Como anda nossa representação publica que visa apenas o interesse do povo? Nossos senadores, deputados... E nosso mediador, nosso soberano, ou devo dizer, nossa Soberana?

04/08/2011

Biombos da Arte

BIOMBOS
                      Além de terem a função de dividir ambientes, os biombos estão
servindo também como verdadeiros objetos decorativos.Seguem algumas opções abaixo.
Abraço, Moga.








01/08/2011

Ensaio Sobre Um Pensamento Politico e Social Brasileiro

Imagina um país colonial, de diferentes culturas iguais (?), cheio de pormenores diversos que estratificam uma igualdade social generalizada.

Porra diabos quero dizer com isso?
Falar sobre o Brasil eu odeio, sou bairrista, falo “tu”, “bah”, “tche”, falo gauchês. Mas não posso criticar nada que eu desconheça. Não nego que mudei minha opinião sobre o Brasil lendo. Digamos, diminui um pouco o bairrismo, mas ainda sou separatista!

Eu faço o curso de historia oferecido pela Unopar no formato EAD no pólo de Gramado.
Não me baseio no curso quanto a isso, me baseio em Raízes do Brasil, do Holanda, e em alguns outros livros. E aqui, com base neles, tento basear a mentalidade do Brasil de hoje, com a tentativa de ilustrar um Brasil de séculos atrás.

O texto ficou meio longo, mas tentei torná-lo “não chato demais”, espero que tenha conseguido.

Sergio Buarque de Holanda (pai do Chico Buarque) escreve em meados de 40 uma obra utilizada até hoje, que mostra pontos da cultura brasileira, que ultrapassa mais de 500 anos: PREGUIÇA, JEITINHO, PATRONATO.

Vou resumir alguns pensamentos para fazer pensar mais:


PREGUIÇA


Bom, a preguiça é portuguesa, ela remete que os novos Fidalgos portugueses, que não eram de fato Fidalgos (Filhos de algo), pois descendiam de trabalhadores manuais, a nova burguesia, que retirou a antiga nobreza, e apoiou financeiramente as empresas à África do Rei D. Afonso V (O Africano), D. João II, D. Manuel I e D. João III nesse período.  Porem, essa empreitada na África na segunda metade do século XV, trouxe negros que viriam a trabalhar nas plantações portuguesas, por isso o feudalismo nunca foi parte da cultura portuguesa, é como se essa fase não tivesse passado por aquela terra tão nitidamente como a região francesa, alemã, britânica e italiana. Esses escravos precocemente inseridos provocaram a falta de apego ao trabalho manual português.
 Os fidalgos começaram uma corrida não para enriquecer de fato, mas para tornarem-se nobres de fato, pois era status social não sujar as mãos em trabalho, bem como era fácil tornar-se fidalgo, então a “vadiagem” tomou conta do país. Outro fato qual o feudalismo não pegou, é a recente recuperação das terras (de acordo com Eduardo Bueno) perdidas, com ajuda de Castela (Espanha), e o saque desses locais, ocupados por Árabes muito ricos. Isso logo afetou a forma de acumulo de riqueza, pois navegando mais, apoiados por D. Henrique, tentaram buscar o ouro da África atravessando o deserto, e por conseqüências escravos. Logo o comércio fez com que muitos portugueses largassem as armas e adotasse a diplomacia para enriquecer, tudo isso influenciou para uma cultura brasileira preguiçosa em diversas regiões até hoje. Os navios dos portugueses nessa época inovavam pela belicosidade (davam canhonaço a torto e direito), primeiros a utilizar equipamentos pesados para combate. Esse avanço foi especifico nessa época, essa tomada à frente, pelas reuniões em Sagres, onde estudiosos melhoravam as técnicas de navegação, mas com o tempo foi ultrapassada pelas potencias da época como Inglaterra, Estados Unidos e França.
Bom, eu me empolgo escrevendo, mas a preguiça, veio ao Brasil, depois dessa transformação do povo português para negociantes, lucro fácil, escravos abundantes.


JEITINHO


A miscigenação Brasileira, mesmo parecendo para a época em que o branqueamento do brasileiro era um caminho, torna Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre uma quebra de paradigmas.
Com as navegações, Portugal vivia infestado de negociantes e mercadores estrangeiros, inclusive Judeus (que foram expulsos pela pressão católica, contra a venda a juros, ironicamente os judeus é que bancaram boa parte das primeiras viagens, sendo assim, foram bancar as viagens holandesas). Mas essa  troca cultural, fora a repressão católica, rendeu frutos, o trato português com outros povos era sistemático, logo avaliavam se o outro povo era nocivo, deveria ser escravizado, e se era dócil, deveria ser inserido em sua cultura (e depois escravizado claro), ou se o povo era civilizado, daí entrariam em cena os comerciantes.
O português, após focar a sua força e sistema para o comercio, cria biótipos para isso, povos que negociavam com eles, viam como forma obvia de aproximação, o “tornar-se amigo”, isso renderia bons negócios. Isso gerou uma tolerância cultural e uma falta de apego ao “nacionalismo”, o que visava era o lucro, logo a miscigenação espalhou essa forma de visão, transformando em característica do povo brasileiro, o "tu me ajuda e eu te ajudo".
Não estou apoiando os roubos dos políticos brasileiros, mas ele tem um inicio, é uma mentalidade brasileira, e ela deve ser muito bem analisada e estudada (coisa que muita gente já falava no inicio do século XX), tudo no Brasil tem um fundo histórico.


PATRONATO


O jeitinho é muito ligado a formação brasileira republica. Na segunda metade do século XIX em diante temos (por pressão inglesa, com interesse em vender seus produtos para pessoas, levando em conta que escravos não ganham salário, logo, não compram) a proibição do trafico e utilização de escravos no Brasil.
Levando em conta um Brasil que tinha, a partir daí, as cidades as moscas em geral, pois o comercio não tinha tanta força fora da zona portuária, já que os grandes donos de terras tinham igreja, barbearia, peões para tudo, tudo era produzido no núcleo das zonas cafeeiras, e a lei também era feita dentro delas. O latifúndio em geral era formador desse sistema, fazendo com que a riqueza fosse transferida em forma de estudos para o filho, que ia para a Europa (ironicamente a America espanhola, tomando o México, por exemplo, no século XVIII já tinha faculdade e mais de 5 mil livros publicados e impressos dentro do país), quando havia a volta desse estudante, geralmente formado em direito ou algo relacionado, seguia a vida “publica”, e esse antagonismo publico e privado, gerava uma busca na vida publica por interesses privados. E isso se faz em alguns casos abertamente ainda hoje, como nas fazendas nas pontas do Brasil, o coronelismo ainda existe, e da forma implícita em cada prefeitura de cada cidade, isso é inegável, brasileiro não sabe diferenciar o que é publico do que é privado.