Continuando o pensamento então.
Como disse, lembrando o que Ecce Hommo do Nietzsche pôs em pauta, tudo em demasia estraga, ratifico com tudo que falta também estraga.
Não podemos nunca ler o Manifesto Comunista do Marx, e sair por ai gritando que os Cubanos e Chineses são felizes, que a URSS não acabou por culpa do sistema. O Manifesto tem muita coisa boa, muita coisa proveitosa, bem dizer tudo, porem, cada pensamento marxista tem seu lugar de utilização, bem como uma boa interpretação, como Schopenhauer escreveu no A Arte de Escrever (se não me engano, preguiça de verificar, faz isso por mim por favor), a língua alemã é intradutível, não pode ser totalmente passada para outra língua.
De certo modo o nacionalismo preconceituoso sobre a lingua alemã que Arthur Schopenhauer nos coloca, pode ser traduzido como algo do tipo: crianças, tenham cuidado ao passar textos de uma língua a outra, pois cada língua representa características próprias do lugar.
Ou seja, hoje, tudo, deve ser interpretado com cuidado, uma gafe, e tensão gerada.
"O meio mais cômodo e mais rápido de discernir o bem do mal é perguntar-te o que terias ou não terias desejado se um outro, que não tu, tivesse sido rei.” (Tácito).
O tio Tácito (Públio Cornélio Tácito, historiador romano) nos dando dicas sobre empatia, que fica implícito (tácito) no trecho.
O pensar no outro nos atos é algo que necessita de costume, entender as diferenças, que podem ser pequenas, e as vezes despercebidas, como quando comecei a namorar, na casa dela, eles não usam colher própria para o açúcar, e isso é um costume, na minha usa-se, a nossa distância é de aproximadamente 100km.
Já no Brasil em geral, se come usando garfo e faca, na Índia, normalmente usa-se as próprias mãos.
E claro, vai muito além disso, a forma de pensar, de ver o mundo.
De ter sua verdade absoluta, acima dos demais.
Como um trecho do livro do Carlo Ginzburg, O Queijo E Os Vermes, onde o moleiro se defenda da inquisição usando a fábula dos três anéis, ao ser questionado sobre qual a religião detinha a verdadeira herança divina, ele relata a historia dos 3 aneis, contada por Melquisedeque a Saladino:
"No instante da morte, o pai, secretamente, deu a cada filho o seu anel. Após o desenlace do pai, os filhos disputaram entre eles a posse da herança e da honra. Cada um negou aos outros qualquer direito. E, para testemunhar que podia assim agir, em sã consciência, cada um deles apresentou o seu anel. Ao se constatar que os anéis eram tão iguais, que não se poderia identificar aquele que servira de modelo estabeleceu-se o problema de saber quem deveria ser o legítimo herdeiro do pai. O problema ficou sem solução – e ainda o está" (Boccaccio, Decamerão)
Ou seja, nao sabemos, não fixando o pensamento apenas na religião, qual costume, cultura, é a certa, ou a ideal.
Devemos conviver com as diferenças, e mais, entende-las.
Andrew Breivik, que realizou os atentados na Noruega, na sua concepção, agiu a favor da união européia em uma só cultura, uma busca. Porém, como já comentei em uma matéria sobre ele, Le Goff, historiador Francês, tem uma idéia similar, mas crê na multicultura, a Europa unida porém conservando suas linguas, suas diferenças.
O Brasil também é multicultural, deve conservar isso, e mais, a meu ver, são formas táo distintas, tanto da lingua, quanto costumes, que creio na separação dos estados, mais autonomia a eles.
Seria um caminho ótimo a seguir.
Abraço a quem teve saco de ler tudo, obrigado.



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