Imagina um país colonial, de diferentes culturas iguais (?), cheio de pormenores diversos que estratificam uma igualdade social generalizada.
Porra diabos quero dizer com isso?
Falar sobre o Brasil eu odeio, sou bairrista, falo “tu”, “bah”, “tche”, falo gauchês. Mas não posso criticar nada que eu desconheça. Não nego que mudei minha opinião sobre o Brasil lendo. Digamos, diminui um pouco o bairrismo, mas ainda sou separatista!
Eu faço o curso de historia oferecido pela Unopar no formato EAD no pólo de Gramado.
Não me baseio no curso quanto a isso, me baseio em Raízes do Brasil, do Holanda, e em alguns outros livros. E aqui, com base neles, tento basear a mentalidade do Brasil de hoje, com a tentativa de ilustrar um Brasil de séculos atrás.
O texto ficou meio longo, mas tentei torná-lo “não chato demais”, espero que tenha conseguido.
Sergio Buarque de Holanda (pai do Chico Buarque) escreve em meados de 40 uma obra utilizada até hoje, que mostra pontos da cultura brasileira, que ultrapassa mais de 500 anos: PREGUIÇA, JEITINHO, PATRONATO.
Vou resumir alguns pensamentos para fazer pensar mais:
PREGUIÇA
Bom, a preguiça é portuguesa, ela remete que os novos Fidalgos portugueses, que não eram de fato Fidalgos (Filhos de algo), pois descendiam de trabalhadores manuais, a nova burguesia, que retirou a antiga nobreza, e apoiou financeiramente as empresas à África do Rei D. Afonso V (O Africano), D. João II, D. Manuel I e D. João III nesse período. Porem, essa empreitada na África na segunda metade do século XV, trouxe negros que viriam a trabalhar nas plantações portuguesas, por isso o feudalismo nunca foi parte da cultura portuguesa, é como se essa fase não tivesse passado por aquela terra tão nitidamente como a região francesa, alemã, britânica e italiana. Esses escravos precocemente inseridos provocaram a falta de apego ao trabalho manual português.
Os fidalgos começaram uma corrida não para enriquecer de fato, mas para tornarem-se nobres de fato, pois era status social não sujar as mãos em trabalho, bem como era fácil tornar-se fidalgo, então a “vadiagem” tomou conta do país. Outro fato qual o feudalismo não pegou, é a recente recuperação das terras (de acordo com Eduardo Bueno) perdidas, com ajuda de Castela (Espanha), e o saque desses locais, ocupados por Árabes muito ricos. Isso logo afetou a forma de acumulo de riqueza, pois navegando mais, apoiados por D. Henrique, tentaram buscar o ouro da África atravessando o deserto, e por conseqüências escravos. Logo o comércio fez com que muitos portugueses largassem as armas e adotasse a diplomacia para enriquecer, tudo isso influenciou para uma cultura brasileira preguiçosa em diversas regiões até hoje. Os navios dos portugueses nessa época inovavam pela belicosidade (davam canhonaço a torto e direito), primeiros a utilizar equipamentos pesados para combate. Esse avanço foi especifico nessa época, essa tomada à frente, pelas reuniões em Sagres, onde estudiosos melhoravam as técnicas de navegação, mas com o tempo foi ultrapassada pelas potencias da época como Inglaterra, Estados Unidos e França.
Bom, eu me empolgo escrevendo, mas a preguiça, veio ao Brasil, depois dessa transformação do povo português para negociantes, lucro fácil, escravos abundantes.
JEITINHO
A miscigenação Brasileira, mesmo parecendo para a época em que o branqueamento do brasileiro era um caminho, torna Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre uma quebra de paradigmas.
Com as navegações, Portugal vivia infestado de negociantes e mercadores estrangeiros, inclusive Judeus (que foram expulsos pela pressão católica, contra a venda a juros, ironicamente os judeus é que bancaram boa parte das primeiras viagens, sendo assim, foram bancar as viagens holandesas). Mas essa troca cultural, fora a repressão católica, rendeu frutos, o trato português com outros povos era sistemático, logo avaliavam se o outro povo era nocivo, deveria ser escravizado, e se era dócil, deveria ser inserido em sua cultura (e depois escravizado claro), ou se o povo era civilizado, daí entrariam em cena os comerciantes.
O português, após focar a sua força e sistema para o comercio, cria biótipos para isso, povos que negociavam com eles, viam como forma obvia de aproximação, o “tornar-se amigo”, isso renderia bons negócios. Isso gerou uma tolerância cultural e uma falta de apego ao “nacionalismo”, o que visava era o lucro, logo a miscigenação espalhou essa forma de visão, transformando em característica do povo brasileiro, o "tu me ajuda e eu te ajudo".
Não estou apoiando os roubos dos políticos brasileiros, mas ele tem um inicio, é uma mentalidade brasileira, e ela deve ser muito bem analisada e estudada (coisa que muita gente já falava no inicio do século XX), tudo no Brasil tem um fundo histórico.
PATRONATO
O jeitinho é muito ligado a formação brasileira republica. Na segunda metade do século XIX em diante temos (por pressão inglesa, com interesse em vender seus produtos para pessoas, levando em conta que escravos não ganham salário, logo, não compram) a proibição do trafico e utilização de escravos no Brasil.
Levando em conta um Brasil que tinha, a partir daí, as cidades as moscas em geral, pois o comercio não tinha tanta força fora da zona portuária, já que os grandes donos de terras tinham igreja, barbearia, peões para tudo, tudo era produzido no núcleo das zonas cafeeiras, e a lei também era feita dentro delas. O latifúndio em geral era formador desse sistema, fazendo com que a riqueza fosse transferida em forma de estudos para o filho, que ia para a Europa (ironicamente a America espanhola, tomando o México, por exemplo, no século XVIII já tinha faculdade e mais de 5 mil livros publicados e impressos dentro do país), quando havia a volta desse estudante, geralmente formado em direito ou algo relacionado, seguia a vida “publica”, e esse antagonismo publico e privado, gerava uma busca na vida publica por interesses privados. E isso se faz em alguns casos abertamente ainda hoje, como nas fazendas nas pontas do Brasil, o coronelismo ainda existe, e da forma implícita em cada prefeitura de cada cidade, isso é inegável, brasileiro não sabe diferenciar o que é publico do que é privado.





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