26/03/2012

Nativos Americanos, Reflexao


Introdução Geral

Muitas são as classificações dos povos indígenas que viviam entre o Oceano Atlântico e a margem esquerda do Rio Uruguai. Apesar da importância de cada uma delas, os principais grupos indígenas no Extremo Sul do Brasil foram três: os guaranis, os pampeanos e os gês(ou kaigangs).

Antes e mesmo depois da chegada dos imigrantes europeus, estes grupos indígenas empreenderam movimentos migratórios característicos do seu modo de vida nômade ou semi-sedentário. Migraram também forçados pela presença dos colonizadores e seus descendentes que ocupavam suas terras ou os aprisionavam a fim de escravizá-los.

Existem vestígios arqueológicos que atestam a existência de grupos indígenas desde doze mil anos A.C. Mas nos dias atuais, a presença desses grupos é pequena. Foram dizimadas pelos bandeirantes, colonizadores europeus e também por conflitos entre eles. Pequenos grupos vivem nas reservas de Nonoaí, Iraí e Tenente Portela, todos ao norte do Rio Grande do Sul, que lutam para manter sua identidade e um pouco de dignidade. Também se vêem alguns grupos que vivem nas beiras de estradas, que tentam viver como seus ancestrais, com sua cultura nômade, seus costumes e crenças, mas infelizmente, num País onde a política pública nunca respeitou as diferenças, sem futuro.

O maior legado do arqueológico Rio Grande do Sul são as Ruìnas de São Miguel, localizado na cidade do mesmo nome, na região. Foram missões construídas pelos padres jesuítas para colonizar a região e catequizar os índios tapes que viviam na região e pertenciam ao grande grupo dos guaranis. Desde dezembro de 1983 foi declarado pela UNESCO como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
Segue abaixo de forma mais detalhada a chegada dos nativos americanos, seu primeiro contato com o Europeu, sua passagem no tempo e legado, e dados e números sobre o volume do povo indígena e localização.

A Origem dos Povos Americanos

Introdução

Índio, indígena ou nativo americano são nomes dados aos habitantes humanos da America antes da chegada dos europeus e seus descendentes atuais. A hipótese mais aceita é a de que sua origem deu-se a doze mil anos, quando da travessia pelo estreito de Bering no final da era glacial.
Eram grupos de caçadores-coletores que atravessaram este estreito que ligava o continente asiático a América e uma vez dentro dela foram migrando em direção ao sul.

Desenvolvimento

Uma das etnias que mais tem parentesco com os povos do nordeste  asiático são os Esquimós(Ynuit).
Até recentemente a interpretação mais largamente aceita era de que os primeiros humanos nas Américas teriam vindo numa série de migrações entre 24 e 9 mil anos atrás.
Na rota sul mudou os pensamentos os arqueólogos, o fóssil de uma mulher de 11 mil anos foi encontrado pela arqueóloga francesa Anette Laming-Emperaire na década de 70. O fóssil recebeu o nome de Luzia.
O biólogo Walter Alves Neves, ao estudar a morfologia craniana do fóssil encontrou traços que lembram os atuais aborígenes da Austrália e os negros da África.
Ao lado de seu colega argentino Hector Pucciarelli, Neves formulou a teoria de que o povoamento nas Américas teria sido feita por duas correntes distintas de caçadores coletores, ambas vindas da Ásia, provavelmente pelo estreito de Bering, mas cada uma delas composta por grupos biológicos distintos a primeira a 14 mil anos e seus membros teriam o aspecto semelhante ao de Luzia. O segundo de grupos mongólicos. A chegada dos grupos mongólicos é estimada em 11 mil anos, dos quais descende a totalidade dos ameríndios.

Contatos imediatos com o Tupi-Guarani

Introdução

Muitos livros e testos unem uma franca queda na população indígena após 1500. Na verdade são especulações. De acordo com o jornalista e escritor, Leandro Narloch, em seu livro Guia Politicamente Incorreto da Historia do Brasil, esse processo segue uma naturalidade, pois havia muitas guerras entre as tribos, e apenas 10% da quantidade de soldados que embarcavam nas caravelas portuguesas, desembarcava na costa brasileira.  Os portugueses apenas firmaram uniões militares com determinadas tribos, presenteando os caciques com espelhos e ferramentas. E em grande quantidade, pois culturalmente, os índios não se apegavam a bens materiais. Realmente, a vinda trouxe varias doenças que não existiam, a Amazônia, por exemplo, concentrava, de acordo com o site da Funai, mais de cinco milhões de indígenas. A falta de imunidade a essas doenças ajudou nessa diminuição populacional. Outra situação, um pouco posterior à chegada das caravelas, é que muitos índios abandonaram suas tribos, e foram morar nas cidades, trabalharam, e em poucas gerações, os descendentes abandonavam as diferenças físicas, e até sua memória do passado.

Desenvolvimento

Leandro Narloch, em seu livro, trás informações um pouco adversas aos historiadores mais conservadores, ele aponta que o europeu ensinou os índios a cuidarem da mata. Os nativos utilizavam ferramentas muito primitivas para plantio, e até conheciam técnicas de rotação, mas em função das guerras freqüentes, roubo de outras tribos, eles deveriam plantar para colherem logo, bem como caçar de forma mais eficaz, os índios ateavam fogo no mato freqüentemente. Esses são alguns âmbitos gerais sobre a recém chegada do europeu no Brasil.
Regionalizando esse contato, uma das marcas no estado do Rio Grande do Sul relacionando europeus e índios, foram as missões.  Em 1607 inauguram-se no Paraguai 500 km quadrados com mais de 100 mil guaranis (povo indígena este, que mesmo sem a chegada dos portugueses, estava avançando em território do norte do Brasil, em direção ao sul, exterminando e englobando tribos pequenas, e impondo a língua tupi-guarani).  Essa catequização aos índios tinha o apoio direto do papa, obrigando os portugueses e espanhóis. Porem, com as investidas tanto de tropas espanholas, portuguesas e até de outras tribos, como a batalha de M’bororé e Caiboaté, os índios foram massacrados, pois se recusaram a deixar os últimos redutos missioneiros, os sete povos das missões, trocado politicamente entre espanhóis, portugueses e vaticano.
Na região da serra, acordo com as memórias das cidades como: Gramado, Canela e arredores, como as cidades de colonização alemã (picada café, Santa Maria do Herval, Dois Irmãos, Nova Petrópolis), não foram afetadas diretamente com o contato de 1500, na costa, São Paulo, Minas etc. Nem após 1600 no centro e oeste do RS. A tribo que aqui estava chamava-se Bugres (do Frances bougre, Latim Bulgàrus. emprego do vocábulo para denotar a pessoa indígena liga-se à idéia de inculto, selvático, estrangeiro, pagão, homossexual, e não cristão - uma noção de forte valor pejorativo. Outra razão a qual o nome poderia ter surgido é o barulho o qual esses índios faziam com a boca, que lembrava a palavra bugre.). O contato, acentuando, entre o Alemão e o Bugre, se fazia à medida que o imigrante que aqui chegava, tinha ganhado as terras. Os Bugres seriam um empecilho, e de nada haveria de errado em matar, porém, essa tribo tinha um ar vingativo, e invadia a noite as colônias para matar alguém, assim como fizeram com eles. Era comum também o rapto, seqüestro, de mulheres índias, para servirem de esposas de algum imigrante.

Índios hoje no Brasil

Introdução

Os povos indígenas no Brasil incluem um grande número de diferentes grupos étnicos que habitam ou habitaram o território brasileiro, e cujas raízes remontam às Américas desde antes da chegada dos europeus a este continente, em torno de 1500. Compreendem uma grande variedade de tribos e nações, muitos deles com laços culturais e territórios históricos que atravessam as fronteiras políticas atuais e adentram os países vizinhos. A diversidade social entre as próprias aldeias, por exemplo, os guaranis, com um sistema de domínio de outras tribos, ou extermínio das mesmas, vindo do norte brasileiro em direção ao sul, assim como a pacifica tradição sambaqui na costa do RS, pescadores e coletores.

Desenvolvimento

Embora sua organização social tenha sido geralmente igualitária e baseada em tribos pequenas, semi-nômades e independentes, houve exemplos de nações super-tribais envolvendo milhares de indivíduos e ocupando extensos territórios. Os indígenas do Brasil falavam e falam centenas de línguas diferentes, cujas origens e conexões ainda são pouco conhecidas. Sua cultura material e espiritual também é bastante diversificada, apesar de um fundo comum devido ao estilo de vida. Hoje em dia, são 227 povos, e sua população está em torno de 400 mil.
Há grande diversidade cultural entre os povos indígenas no Brasil, mas há também características comuns:
A habitação coletiva, com as casas dispostas em relação a um espaço cerimonial que pode ser no centro ou não;
A vida cerimonial é a base da cultura de cada grupo, com as festas que reúnem pessoas de outras aldeias, os ritos de passagem dos adolescentes de ambos os sexos, os rituais de cura e outros;
A arte faz parte da vida diária, e é encontrada nos potes, nas redes e esteiras, nos bancos para homens e mulheres, e na pintura corporal, sempre presente nos homens;
A educação das crianças se faz por todos os habitantes da aldeia, desde cedo aprendem a realizar as tarefas necessárias à sobrevivência, tornando-se independentes. A família podia ser monogâmica ou poligâmica. Deixaram forte herança cultural nos alimentos, tendo ensinado o europeu a comer mandioca, milho, guaraná, palmito, pamonha, canjica; nos objetos, suas redes e jangadas, canoa, armadilhas de caça e pesca; no vocabulário: em topônimos como: Curitiba, Piauí... Em nomes de frutas nativas ou de animais: caju, jacaré, abacaxi, tatu.

Sobre os indos no Brasil, dados e números:
A denominação mais conhecida das várias etnias não é quase nunca a forma como seus membros se referem a si mesmos, e sim o nome dado a ela pelos brancos ou por outras etnias, muitas vezes inimigas, que os chamavam de forma depreciativa, como é o caso dos caiapós.
Municípios brasileiros com maior população autodeclarada indígena, cinco estavam na Região Norte e dois na Região Sul. Os três restantes são no Nordeste, Sudeste e Centro Oeste.
·           1) São Gabriel da Cachoeira (AM) – 76,31%
·           2) Uiramutã (RR) – 74,41%
·           3) Normandia (RR) – 57,21%
·           4) Santa Rosa do Purus (AC) – 48,29%
·           5) Ipuaçu (SC) – 47,87%
·           6) Baía da Traição (PB) – 47,70%
·           7) Pacaraima (RR) – 47,36%
·           8) Benjamin Constant do Sul (RS) – 40,73%
·           9) São João das Missões (MG) – 40,21%
·           10) Japorã (MS) – 39,24%


Etnias Indígenas hoje no RS


Muitas são as classificações dos povos indígenas que viviam entre o Oceano Atlântico e a margem esquerda do Rio Uruguai. Apesar da importância de cada uma delas, os principais grupos indígenas no Extremo Sul do Brasil foram três: os guaranis, os pampeanos e os gês(ou kaigangs).

O maior legado arqueológico são as Ruìnas de São Miguel, localizado na cidade do mesmo nome, na região noroeste do Rio Grande do Sul. Foram missões construídas pelos padres jesuítas para colonizar a região e catequizar os índios tapes que viviam na região e pertenciam ao grande grupo dos guaranis. Desde dezembro de 1983 foi declarado pela UNESCO como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Pequenos grupos vivem nas reservas de Nonoaí, Iraí e Tenente Portela, todos ao norte do Rio Grande do Sul, que lutam para manter sua identidade e um pouco de dignidade. Também se vêem alguns grupos que vivem nas beiras de estradas, que tentam viver como seus ancestrais, com sua cultura nômade, seus costumes e crenças, mas infelizmente, num País onde a política pública nunca respeitou as diferenças, sem futuro.

Conclusão

Não podemos tomar como um a teoria universal de dominação por uma sociedade opressora maior, o desenvolvimento de toda e qualquer tipo de sociedade, todas diferem em detalhes, que com certeza mudam o tipo de visão. Todos sabem que ocorreu em um dado momento da historia um evento chamado Revolução Francesa. Mas os detalhes, motivos exatos, podemos apenas deduzir e recriá-los. Com a chegada de portugueses, espanhóis e imigrantes em nossas regiões ocorre algo similar, a “dominação” não é uniforme em todos os cantos da America do sul. Cada qual tem seus motivos.
Bem como no caso dos nativos, não apenas os americanos, mas os africanos, os povos bárbaros na Europa, todos tiveram uma historia onde reinaram um período de tempo e depois por forças diversas a sociedade se transformou em outra, ela esgotou-se. Os índios autodeclarados representam 0,4% da população brasileira, mas, se formos pensar um pouco, praticamente todos têm traços no sangue de índios, ou antepassados que conviveram e acumularam capital social com o contato dos mesmos. No RS, o chimarrão, palavras como “tchê”, “piá”. A cultura nativa ainda está aqui, mas não é vista dessa forma, nem praticada no mesmo contexto que na época do auge da civilização nativa americana.







Bibliografia
Entrevista com Sérgio Baptista, Bacharel em Letras com especialização em História, doutorado em Antropologia Cultural pela Universidade de São Paulo, coordenador da Fundação Nacional do Índio, professor na Universidade do Cabo Verde e da UFRGS.

MOURE, Telmo Remião, História do Rio Grande do Sul, Editora FTD Ltda, 1994.
www.funai.com.br   5/09/2010
www.abep.org.br 5/09/2010
CHAROY, Eduardo, Historia Ilustrada do Rio Grande do Sul, Zero Hora, 1998
NARLOCH, Leandro, Guia Politicamente Incorreto da Historia do Brasil, LeYa, 2009

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