26/03/2012

Sócrates, a Moral e os Sofistas


Breve história da filosofia e mapeamento do texto



O texto escrito por Platão apresenta um debate de um assunto aparentemente comum a Sócrates. Na Grécia Antiga, especificamente em Atenas, tudo propiciou para o “desenvolver” da filosofia (“inventada” por Tales, de Mileto, e de acordo com a cultura clássica, por Pitágoras de Samos.). Os pré-socráticos preocupavam-se em resolver indagações sobre a natureza, para o historiador Pedro Paulo Funari: “(...) Esta passagem não é resultado de um “milagre” inexplicável, mas se liga às diferenças entre as sociedades dos relatos mitológicos e o mundo das cidades, das polis. Ou seja, foi a nova vida material e cultural nas cidades, com suas novas relações sociais, que propiciou o desenvolvimento de uma nova forma de pensar sobre o mundo.”
Essa transformação foi gradual, e outra observação é a fuga, dentre os filósofos, da mitologia, que explicava um tempo imemoriável de acontecimentos divinos, eles deram atemporalidade ao seu novo pensamento baseado na razão.
"A filosofia nasce de uma tentativa desusadamente (“contre l'usage”, contra o uso) obstinada de chegar ao conhecimento real", diz Bertrand Russell.
 Sócrates tinha como objeto a própria sociedade e seu pensar, a moral e a ética, a busca da felicidade humana, a mediania na virtude, no conhecimento. Logo, o próprio conceito de conhecimento se difere entre a sociedade, como a moral, não há um consenso.

Dos personagens, são três, Protágoras, Sócrates e as pessoas em geral.
Dos conceitos: dois conceitos do conhecimento são destacados: O conceito das pessoas em geral, que seria o ‘conhecimento’ apenas um escravo dos outros sentimentos, que não detêm autoridade sobre o individuo. E o conceito de Sócrates, o qual se assemelha com o de Protágoras: O conhecimento comanda o individuo, e de acordo com Sócrates, de longe a busca mais importante do homem (conceito homem em Atenas: nascido em Atenas, não escravo, sexo masculino.), a virtude (eudaimonia) de acordo com Protágoras, não há nada mais possante no homem que a prudência e o conhecimento.


Filosofia x Historia


O conhecimento é atemporal dentro da sociedade humana, ele decorre, levando em consideração dês da criação do conceito conhecimento por Sócrates, tornando-o amante do conhecimento, filosofia. A história é intimamente ligada à filosofia, pois o pensamento filosófico no passar, no evoluir, das sociedades, sofre modificações, entram novos filósofos, que baseados nos escritos dos anteriores, geram seu conhecimento, fazendo uma síntese (tese, anterior + antítese, formada pelo próprio pensamento). Filósofos baseiam suas teorias e pensamento também daquilo que eles mesmos vêem e sentem sobre o mundo, um fato, que para um historiador digno de relato mais próximo da verdade, para o filosofo é uma prova que pode ser contorcida para apoiar sua forma de pensar e ver o mundo. Não que seja uma inverdade, porém, temos que conceber que mesmo na historia, a opinião do historiador, mesmo que subliminar, modifica tanto o texto quanto o próprio objeto de estudo, seja um fato histórico, um personagem ou uma simples foto. Outro aspecto importante entre a relação historia e filosofia é o da moral e da ética.
No decorrer das gerações, dês da Grécia antiga, os filósofos observam a razão dentro da sociedade tendo como pilar a ética e a moral vigente. Dentro do conceito ‘ética’, podemos abranger aspectos gerais no planeta, como uma conduta quase instintiva do ser humano, e a ‘moral’ aplicada a um domínio menor, algo que destaca igualmente á um grupo reduzido de pessoas, ou a algum local. Dentre vários pontos onde a historia pode ir de encontro à filosofia, no conceito ‘moral’, vejo um promissor destaque, Dwight Furrow, no livro “Ética – conceitos chave em filosofia”, no estudo histórico e atual da moral “... Como começamos a esclarecer nossos conceitos morais? (...) Descrevendo o comportamento e as práticas humanas nos vários contextos nos quais surgem problemas morais (...). O propósito de tal investigação seria descrever e explicar a conduta moral...”

A arte de dizer muito e não dizer nada


“É sofista, disse Platão, aquele que em sua disputa se compromete ao afirmar coisas contraditórias e com suas palavras engana de maneira maravilhosa seus ouvintes”

As palavras de Platão definem com muita proximidade o perfil do sofista. Protágoras, que discute com Sócrates, elabora, junto há algumas idéias de Heráclito, um sistema de retórica, ascetismo e relativismo chamado Sofismo: “Assim como as coisas me parecem, assim elas o são para mim; assim como elas te parecem, assim elas os são para ti, pois tu és homem e também o sou” um de seus pensamentos.
Os sofistas, já em um número considerável, lembravam os antigos poetas que cantavam os mitos nas praças. Eles andavam por toda a Grécia, e seus arredores, por seus serviços os sofistas cobravam altas taxas e foram, na verdade, os primeiros gregos a cobrarem dinheiro para transmitir seus conhecimentos. Os sofistas não eram, falando em termos técnicos, filósofos, mas ensinavam tudo aquilo que se lhes demandasse. Eram tópicos variados como retórica, política, gramática, etimologia, história, física e matemática. Logo alcançaram o status de mestres da virtude no sentido de que ensinavam as pessoas a desempenharem seus papéis dentro do Estado. Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza era prova de que não era um sofista. Em alguns pontos do próprio pensamento Sócrates se contrapõe aos sofistas, como na sua ultima busca, a própria interrogação humana (bem, justiça, virtude), já os sofistas situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, a percepção imediata, sem se preocupar com a investigação de uma essência da virtude.

Um dos mais importantes legados dos sofistas é o dom da palavra, do articular, da retórica.
O simples saber falar, se comunicar, de uma forma rotineira, apenas necessária, no evoluir da sociedade acaba se tornando obsoleto ás nossas ânsias.
Hoje somos vendedores de nós mesmo, utilizamos a fala, não exatamente como um sofisma, tentando contornar algo que não sabemos, mas para facilitar nossa relação com a sociedade. Afinal, como falei na moral, somos regidos por ela, temos um senso comum onde vivemos.


Bibliografia


FURROW, Dwight, Ética – Conceitos – Chave em Filosofia, Artmed.


05/mai/2010

05/mai/2010

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